O vereador de Nova Petrópolis Cláudio Gottschalk (PDT) foi afastado por 30 dias após afirmar em uma sessão da Câmara que "mulher decente não dá problema"  O afastamento começou a valer na última quarta-feira (03/04) e se estende até o dia 1° de maio.

Após a votação que determinou o seu afastamento, Gottschalk se manifestou informando que não acredita merecer a punição e que não soube se expressar. "Ganhei 30 dias de suspensão, mas vou representar o povo de Nova Petrópolis nesses dias. Sou humano, também erro. É um aprendizado."

Em 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, a vereadora Kátia Regina Zummach (PSDB) havia citado durante a sessão os números alarmantes de violência contra as mulheres.

"Véspera do dia das mulheres, faço um apelo para que a gente analise melhor todas essas políticas públicas, que pelo visto não estão chegando, ou não estão tendo resultados. Precisamos achar uma forma de proteger essas mulheres que diariamente sofrem agressões. Essas estatísticas já são altas, mas acho que a maioria das mulheres por medo não denunciam. Que o Legislativo de Nova Petrópolis ajude também para mudar essa realidade", destacou Katia, na época.

Depois disso, o vereador Gottschalk falou sobre o caso, e reclamou da fala da colega.

"Falam tanto em mulheres, tantos problemas, mas eu acho, Kátia, uma coisa que eu fico 'tiriri' da vida contigo, é quando tu bate tanto em cima das mulheres. Agora, uma mulher que se presta, uma mulher decente, não dá tanto problema. Uma mulher que se presta, que eu ando muito nesse mundo, e ando nesse mundo, eu acho que não dá tanto problema. O problema é as 'chinelonas'", afirmou o vereador.

Ele ainda acrescentou: "A gente fica aqui sentado escutando aqui na Câmara, acho que é uma coisa que eu nem devia estar escutando. Eu, escutar um troço desse aí, duas vezes hoje à noite. Mulher que se presta não tem problema. Olha aqui no município de Nova Petrópolis, quantos problemas têm. Eu acho que é muito pouco, acho que até fica feio 'nós ir botar' faixa em banheiro, ou em órgãos públicos, sobre telefone para denunciar. Acho que é muito pouquinho essas coisas aí. Acho que nós não estamos aí para decidir essas coisas".

Katia, indignada com o pronunciamento do vereador, respondeu:

"Não concordo em nenhum momento que é isso. As estatísticas comprovam que 'a violência não tem entre mulheres que presta ou não presta'. Várias donas de casa, assim, diariamente sofrem violência doméstica. Acho que é muito grave esse tipo de questionamento. Porque em primeiro lugar, a mulher que se presta, o que é uma mulher que presta? A mulher tem direito de usar qualquer decote, qualquer coisa. A mulher fala 'não', e o homem continua insistindo, é assédio. Então, essas coisas todas são questionáveis. Precisamos, e muito, trabalhar todas essas questões".

O afastamento foi aprovado pelos vereadores durante a sessão de segunda-feira (1°) por meio de um processo ético disciplinar. A comissão composta pelo presidente vereador Rafael Lüdke (PP), relator vereador Nei Schneider (PSDB) e secretário vereador Rodrigo Santos (PSB), por unanimidade, emitiu parecer entendendo aplicar-se a pena máxima prevista no Código de Ética.

Durante o período, um vereador suplente assume. Como Cláudio é 1º secretário da Câmara, o segundo, Oraci de Freitas (PP) fica na posição. Na próxima semana, ocorrerá uma eleição para segundo secretário.

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