A Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Civil está investigando uma denúncia de corrupção na Câmara de Vereadores do Conde, cidade que fica localizada na Região metropolitana de João Pessoa (PB) A denúncia foi divulgada, na última quinta-feira (28/03) e aponta que um vereador da cidade contratava funcionários fantasmas e ficava com a maior parte dos salários dos servidores, conforme a Polícia Civil.

As investigações iniciaram no ano passado, após uma uma denúncia de que uma beneficiária do Programa Bolsa Família estava trabalhando na Câmara Municipal do Conde. A equipe do programa esteve na casa da suposta funcionária pública e lá descobriu que a mulher não trabalhava, nem ficava com o salário de R$ 900. Isso porque a beneficiária devolvia o dinheiro para o vereador identificado como Fernando Araújo, conhecido como Fernando Boca Louca, e ficava apenas com R$ 100,00.

Ela disse que trabalhou na campanha dele e que aceitou receber apenas uma pequena parte do salário por necessidade. “No pensar dele [do vereador], era assim: tu fica com esses R$ 100 até eu conseguir um emprego pra tu, então eu fiquei. Eu tava precisando porque eu tenho um filho pra dar as coisas. E eu desempregada”, pontuou a beneficiária.

Ao saber que iria perder o benefício do Bolsa Família, a mulher procurou o programa e informou que não trabalhava. A gestão do Bolsa Família informou que acredita que a mulher não ficava com o salário, porque a condição financeira dela era realmente delicada.

No decorrer das investigações, a Polícia Civil identificou que outras pessoas também participavam do mesmo esquema. Como é o caso de um homem que estava contratado como chefe de gabinete, mas era analfabeto. À polícia, ele disse que recebeu a proposta do vereador para a divisão do salário, mas não aceitou.

“A gente entende que o vereador cometeu a corrupção, já que ele pediu os valores recebidos pelos assessores. Além da corrupção tem o crime de lavagem de dinheiro, porque em uma das modalidades ele pediu dinheiro emprestado para um ex-vereador e contratou duas pessoa indicadas por ele, para que elas, recebendo o salário, então, pudessem repassar o valor como se fosse um pagamento por aquele empréstimo”, explicou o delegado Alan Murilo Terruel, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Capital, acrescentando que o vereador depositava os valores na própria conta.