O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o mais bem votado da história da Câmara e filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), disse que “para fechar o STF basta 1 cabo e 1 soldado”. A declaração ocorreu durante uma palestra do congressista antes do 1º turno das eleições, no dia (09/07) de 2018, durante uma aula de preparação para concursos públicos, em Cascavel (PR), promovida pela empresa.

No vídeo, o deputado é questionado por 1 dos presentes de maneira confusa sobre o que aconteceria se o Supremo Tribunal Federal impedisse a posse de Bolsonaro: “Seu pai sendo eleito no primeiro turno, há possibilidade de o STF, e há uma previsibilidade, de ele [STF] agir e impedir que o seu pai assuma? E isso acontecendo o Exército pode agir sem ser invocado lá?”.

Na aula gravada em vídeo,   Eduardo Bolsonaro responde o seguinte:

“Você está indo para um pensamento que muitas pessoas falam e muito pouco pode ser dito. Mas se o STF quiser arguir qualquer coisa, sei lá –‘recebeu uma doação ilegal de R$ 100 do José da Silva’–, impugna a candidatura dele.

“Eu não acho isso improvável, não. Mas aí vai ter de pagar para ver. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nenhum jipe. Manda 1 soldado e 1 cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não.

“O que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF. O que ele é na rua? Você acha que a população … se você prender 1 ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor dos ministros do STF? Milhões na rua? ‘Solta o Gilmar, Solta o Gilmar’.

“Com todo o respeito que eu tenho ao excelentíssimo ministro Gilmar Mendes. Deve gozar de imensa credibilidade junto aos senhores. Mas vai ser 1 momento que você vai ter de medir. É igual soltar o [juiz federal Sérgio] Moro [sic]... soltar o Lula.

“O Moro peitou 1 desembargador que está acima dele? Por quê? Porque o Moro tá com moral pra cacete. Vai ter de ter um colhão filho da puta para conseguir reverter uma decisão dele. Ele só joga lá. Quero ver quem vai dar contrário.

“O STF até segura a onda dos políticos lá . Vira e mexe vejo uns memes: Moro condenou não sei quantos, STF zero ou quase zero. Mais solta do que não sei o quê. Mas essa resposta a gente só vai conseguir te dar se realmente o STF ou o TSE pagarem para ver”.

A reportagem procurou o ministro Gilmar Mendes, citado por Eduardo Bolsonaro. O ministro disse que preferia não se manifestar.

O presidente do STF, Dias Toffoli, está em viagem ao exterior e deve chegar ao Brasil nesta 2ª feira (22.out.2018).

Assista ao vídeo (2min25seg):

Apesar de antiga, a gravação com Eduardo Bolsonaro viralizou nas redes sociais no último domingo (21/10), sobretudo em grupos de mensagens de militantes contrários do PSL. Ele foi o deputado mais votado da história com mais de 1,8 milhão votos em São Paulo. O recorde anterior era de Enéas (Prona), que teve 1.573.642 em 2002.

A discussão toda no vídeo tem início não levando em conta 1 aspecto jurídico relevante. Não é o STF que por algum meio –em face de alguma condenação– poderia impedir a posse de 1 presidente eleito. Casos assim são decididos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O deputado Eduardo Bolsonaro responde à pergunta sempre mencionando o STF. Ao final acaba citando o TSE (“essa resposta a gente só vai conseguir te dar se realmente o STF ou o TSE pagarem para ver”).

OUTRO LADO

Em seu Facebook, o deputado federal afirmou que nunca defendeu o fechamento do STF e que “o vídeo não é motivo para alarde”. Afirma também: “Se fui infeliz e atingi alguém tranquilamente peço desculpas e digo que não era a minha intenção”.

O deputado alega que sua declaração em julho foi “uma brincadeira” que havia ouvido “de alguém na rua”.

“Eu respondi a uma hipótese esdrúxula, onde Jair Bolsonaro teria sua candidatura impugnada pelo STF sem qualquer fundamento. De fato, se algo desse tipo ocorresse, o que eu acho que jamais aconteceria, demonstraria uma situação fora da normalidade democrática”.

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