Um vídeo de ex-vereadores de Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas, articulando um “chapão” para as eleições do próximo ano viralizou nas redes sociais, na segunda-feira (26/08). Na gravação, feita por uma das participantes do encontro, eles aparecem discutindo indicações de cargos na prefeitura e gabinetes. A reunião teria ocorrido em abril deste ano.

Cinco ex-parlamentares aparecem no vídeo: Rodyson Kristnamurti (PSDB), Roberto Bento (CDN), Edmar Rodrigues (PSD), Heloísa Cerri (Avante) e José Wilson Piriquito (SD). Dos mencionados, apenas Heloísa se declara como pré-candidata a prefeita. Em 2012, ela disputou o mesmo cargo e ficou em 4º lugar, com 16,5 mil votos.

O chapão começou a ser articulado pelos ex-vereadores como alternativa ao fim das coligações. Eles querem atrair o máximo de lideranças com capacidade de aglutinar votos e, assim, conseguir retornar ao Poder Legislativo. 

Quatro dos cinco mencionados, com exceção de Heloísa Cerri, que ficou fora do pleito de 2016, tiveram, juntos, 5.041 votos.

Cerca de 20 pessoas participaram do encontro, entre elas alguns pré-candidatos a vereador, como o irmão do deputado estadual Cleitinho (CD), Eduardo Azevedo (Patriota). Outras reuniões já teriam sido realizadas.
Apenas 3 minutos e 31 segundos da reunião foram compartilhados nas redes sociais. Neles, aparecem em destaque Edmar Rodrigues e Roberto Bento, que colecionam cinco mandatos cada. Ambos falam do compromisso dos eleitos com os membros do grupo, principalmente na nomeação dos suplentes para um cargo.

O vídeo

Apenas 3 minutos e 31 segundos da reunião foram compartilhados nas redes sociais. Neles, aparecem em destaque Edmar Rodrigues e Roberto Bento, que colecionam cinco mandatos cada. Ambos falam do compromisso dos eleitos com os membros do grupo, principalmente na nomeação dos suplentes para um cargo.
Derrotado nas últimas eleições, Edmar cita a nomeação dele como secretário-adjunto Antidrogas e de Direitos Humanos. A indicação teria partido de um “amigo” e não do partido. “Se não fosse um amigo meu que tivesse me chamado, eu não tinha outra renda, fiquei em uma situação complicada. Perdi a eleição (...). Onde vou trabalhar com a idade que eu estou, arrumar outro serviço. Eu tenho competência para assumir qualquer secretaria lá”, relatou. 

Na sequência, Roberto Bento pede para falar e afirma que o compromisso não é do Edmar, do Rodyson ou dele e sim “dos candidatos que ganharem a eleição”. “É um pacto mesmo, tem que colocar em ata, não sabemos quem vai ganhar as eleições aqui (...) Esses 7, 8 que ganharem as eleições têm compromisso com o suplente”, afirma e depois diz que quem desonrar o compromisso “está fora do partido”. O “compromisso” a que se refere é a nomeação dos perdedores para um cargo público.

'Deturpado' 

O gatilho da discussão sobre “indicações” teria partido do ex-vereador Roberto Bento, entretanto o início foi editado. Admitindo que o assunto foi iniciado por ele, classificou o vazamento do vídeo como “covardia”. Disse que parte dos argumentos não foi divulgado deturpando o contexto. 

“Como temos um grupo qualificado, muito bom, e a Câmara está carente de pessoas qualificadas, sugerimos aproveitar pelo menos uma pessoa para o gabinete. Se a gente fizer 4, 5 vereadores, porque colocar só cabo eleitoral e não uma pessoa qualificada, com interesse em melhorar a cidade?  Não é inconstitucional nem imoral se eu valorizar uma pessoa do meu grupo”, ponderou, antecipando que sairá do Cidadania.

'Maldade'

Edmar tratou a gravação do vídeo como “maldade”. Ele também afirmou que o conteúdo da reunião foi tirado do contexto e que estão buscando a formação de um grupo, assim como os demais partidos. Sobre “o loteamento de cargos na prefeitura”, disse que houve má interpretação e que o intuito do grupo é “valorização”. 
“Queremos valorizar a equipe (...) Se a pessoa for competente para o cargo, porque não chamar? O grupo fica querendo fazer parte do governo, mas é para ajudar, buscar recursos.”

Mesmo com a repercussão negativa do vídeo, o ex-vereador disse que na próxima semana devem ser definidos os partidos para filiação dos integrantes.

Rodyson classificou o vídeo como maldoso. “É uma gravação maldosa, para não falar criminosa. Eram perguntas e respostas e quem filmou, pinçou uma parte, editou e não mostrou tudo”, argumentou. O tucano disse que se tratava de uma reunião aberta, com representantes de vários partidos.

“Existem várias pessoas com o mesmo intuito, construindo propostas com as demandas que a cidade tem. Tem engenheiro, médico, advogado, servidor público, gente ligada a saúde, educação, e muitos deles são pré-candidatos (...). Estamos propondo que essas pessoas, com capacidade técnica, sejam aproveitadas no projeto do grupo para dar continuidade ao que está sendo discutido”, justifica.
 
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