O procurador Deltan Dallagnol afirmou a seus colegas da Lava Jato que o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator dos processos da operação na segunda instância, achava fracas as provas contra o doleiro Adir Assad durante o julgamento de um processo em 2017, revelam novas mensagens divulgadas nesta sexta-feira (12/07) pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil.

Segundo a publicação, naquela ocasião, Deltan pediu para outro procurador sondar se Gebran tinha intenção de inocentar o réu.

Uma eventual absolvição do doleiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região ( TRF-4 ) preocupava o Ministério Público Federal ( MPF ) que, à época, negociava a delação premiada de Assad. O doleiro, condenado em primeira instância, acabou tendo a sentença confirmada pelo TRF-4 por 3 votos a 0.

A primeira menção a Gebran, segundo a Veja, aparece numa discussão sobre a delação de Assad no grupo de procuradores da Lava Jato no aplicativo Telegram na tarde de 8 de fevereiro de 2017. “O Gebran tá fazendo o voto e acha provas de autoria fracas em relação ao Assad”, afirma Deltan.

Na madrugada de 5 de junho de 2017, numa conversa com o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré, Deltan relata que teve dois “encontros fortuitos” com o desembargador do TRF-4 e volta a citar a preocupação com as provas. “Falei com ele umas duas vezes, em encontros fortuitos, e ele mostrou preocupação em relação à prova de autoria sobre Assad”, escreveu o procurador. Deltan pede então para o colega “sondar se absolverão Assad”:”Se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir para agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação”, diz Deltan.

Cazarré, por sua vez, responde que vai ver o que descobre: “Falei com ele (Gebran) há uns 2 meses, não achei q fosse absolver… Acho difícil adiar”. Deltan cita os encontros com Gebran e pede discrição ao colega procurador: “Só não menciona que comentei, para evitar ruído”.

No caso analisado pelo TRF-4, a defesa de Assad dizia que as empresas que teriam sido apontadas pelo MPF como recebedoras de propina haviam sido vendidas por Assad. Na primeira instância, o então juiz Sergio Moro concluiu que o doleiro permanecia no comando das companhias.

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