“O ex-prefeito liderava essa quadrilha. Ele fazia um levantamento de quem poderia vencer como vereador e investia na campanha dessas pessoas, mas exigia a assinatura de uma carta renúncia. Assim, em caso de vitória, Leto Viana tinha o poder de barganha na Câmara dos Vereadores e na prefeitura municipal”, disse o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, Lucas Santino da Silva durante audiência da Operação Xeque-Mate nesta segunda-feira (1º)

Ao ser questionado pelos representantes do Ministério Público se fazia parte de uma organização criminosa, o ex-vereador respondeu categoricamente que sim. Ele também informou que o investimento em algumas campanhas para vereador de Cabedelo ultrapassava R$ 1 milhão.

A audiência teve início no dia 27 de junho e foi interrompida após o depoimento de cinco testemunhas do Ministério Público e 13 testemunhas da defesa. “Vamos ouvir, em um primeiro momento, os réus colaboradores. Na sequência, em sendo possível, pelo adiantado da hora e pelas circunstâncias que possam surgir, vamos colher os interrogatórios dos réus”, disse o juiz Henrique Jácome. Conforme o magistrado, mais cinco denúncias oferecidas pelo Ministério Público sobre a Operação Xeque-Mate já foram recebidas pela Justiça.

Dos nove réus da audiência desta segunda, respondem ao processo em liberdade os denunciados Marcos Antônio Silva dos Santos, Leila Maria Viana do Amaral, Jaqueline Monteiro Franca (ex-presidente da Câmara dos Vereadores e esposa de Leto Viana), Adeildo Bezerra Duarte Figueiredo da Silva. Os réus Wellington Viana França (Leto Viana, ex-prefeito de Cabedelo), Antônio Bezerra do Vale Filho, Lúcio José do Nascimento Araújo e Tércio de Figueiredo Dornelas Filho estão presos.

Os acusados foram denunciados pelo MPPB de participarem de uma organização criminosa responsável por diversos atos de corrupção administrativa em Cabedelo, como a compra e venda de mandatos, assim como o financiamento de campanhas políticas; esquema de funcionários fantasmas na prefeitura e na Câmara de Vereadores; desvio do salário dos servidores municipais; e, ainda, a doação e permuta de terrenos do município para o benefício empresas.

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