O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, foi detido na manhã da última terça-feira (18/06) como parte da Operação Chabu, da Polícia Federal. A prisão temporária, que tem prazo de até cinco dias, foi confirmada pelo chefe de gabinete da prefeitura, Bruno Oliveira. A operação da PF visa combater a prática de uma suposta organização que violava o sigilo de operações policiais em Santa Catarina.

O prefeito e uma comitiva eram esperados na inauguração da Via Expressa – a visita acabou não ocorrendo e toda a agenda de Gean foi cancelada. Às 10h30, assessores e servidores do governo municipal permaneciam reunidos no gabinete da Prefeitura de Florianópolis, no Centro, onde o silêncio predomina 

Os policiais federais deixaram a sede da prefeitura por volta das 11h50. Descaracterizados, eles não falaram com a imprensa e foram vistos levando malotes e sacos pretos. Os agentes ficaram no local por volta de três horas.

Em comunicado enviado à imprensa pela manhã, a Prefeitura de Florianópolis informou que Gean Loureiro (sem partido) "dará todas as informações necessárias" e que está aguardando para prestar depoimento na sede da PF.

Sete mandados de prisão

Entre os detidos como parte da operação também está o delegado Fernando Caieron, da Polícia Federal em Florianópolis. Segundo a PF, ele é suspeito de atrapalhar a investigação contra uma suposta organização criminosa.

Os agentes federais detiveram, também durante a manhã, o ex-secretário de Estado da Casa Civil, Luciano Veloso Lima, da gestão Eduardo Pinho Moreira (MDB).

Em relação aos mandados de busca e apreensão, até o momento foram confirmados cumprimentos na Prefeitura de Florianópolis, e no grupo de transações financeira Nexxera.

Entre os 30 mandados expedidos pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em Porto Alegre, são sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão. O inquérito está em segredo de Justiça e a relatoria é do desembargador federal Leandro Paulsen.

Entenda a Operação Chabu

Após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, a Polícia Federal apurou que a suposta organização criminosa construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação. O objetivo era embaraçar investigações policiais e proteger o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas.

Durante as investigações foram apuradas várias práticas ilícitas, dentre as quais destacam-se o vazamento sistemático de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar “salas seguras” a prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

As provas obtidas durante as investigações apontam a prática de crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, além da tentativa de interferir em investigação penal que envolva a suposta organização criminosa.

O nome dado à operação, Chabu, significa dar problema, dar errado, falha no sistema, e é usado comumente em festas juninas, quando os fogos de artifício falham. Segundo a Polícia Federal, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer.

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