A Orcampi, uma das principais equipes de atletismo do país, reduzirá em 30% seu contigente de atletas em 2019 na comparação com a temporada anterior. O motivo é a falta de dinheiro, ou mais precisamente de patrocínio, para manter a maior parte de seus contratados. E deixa em dúvida até mesmo a sobrevivência do projeto para os próximos anos.

O time, cuja sede fica em Campinas, disputou prova a prova o título do Troféu Brasil de Atletismo do ano passado, realizado em setembro em Bragança Paulista. Na ocasião, ele tinha 102 atletas inscritos, a maioria oriunda da extinta (ex-BM&F). Em resultado ainda não homologado, perdeu por 32 pontos para o Esporte Clube Pinheiros. Mesmo com todo o ano adiante, o entendimento da direção é que lutar pelo título do maior campeonato nacional será impossível.

A prioridade é conseguir manter um número mínimo de atletas e, apesar das dificuldades, ainda tentar captar um patrocínio privado.

- Nós tivemos 102 atletas inscritos no Troféu Brasil, mas para 2019 torço que tenhamos de 30 a 40, o que é o mínimo razoável para fazer um trabalho decente - afirmou o técnico-chefe da Orcampi, Ricardo D'Ângelo.

Atualmente, a equipe recebe apenas dinheiro de três empresas em projetos aprovados na Lei de Incentivo ao Esporte (LIE). Apesar de os recursos garantirem a subsistência, há regras que limitam a utilização. Por exemplo, a Orcampi só pode pagar um teto salarial de no máximo R$ 2,4 mil, o que já causou a saída de alguns competidores e deve gerar mais debandada.

 Como só temos dinheiro proveniente da LIE, ficamos limitados. Para um atleta de alto rendimento, sobreviver com salário de R$ 2,4 mil não é viável - disse D'Ângelo.

Estamos tentando manter o máximo de atletas, mas vamos ter que fazer uma ginástica para segurá-los. Tirando o futebol, está muito difícil para todos os outros esportes se manterem. Estamos em uma situação bem difícil - afirmou Evandro Lazari, presidente da Orcampi.

Se em uma reviravolta a equipe conseguir um patrocínio privado - com o que D'Ângelo chama de "dinheiro bom", sem restrições ou tetos -, os dois dirigentes preveem que será possível amenizar as perdas. Mas, de qualquer maneira, o retrato atual difere muito do ano passado.

Depois que a B3 encerrou as atividades, a Orcampi absorveu quase 60 atletas e também recebeu recursos da sua co-irmã. Em 2018, teve um orçamento de cerca de R$ 3,7 milhões: R$ 2,5 milhões repassados pela B3 para bancar 37 atletas e 20 treinadores; e mais R$ 1,2 milhão para custear outros atletas que tinham contrato de dois anos em carteira de trabalho - alguns acordos ainda estão em vigor.

Vamos tentar dar o melhor benefício possível para os atletas que permanecerem. Vamos reformular o projeto em janeiro, ver se conseguimos um patrocínio direto e aí negociar com os atletas - disse D'Ângelo.

Ao menos, afirmou o técnico-chefe, o projeto de categorias de base está mantido. Segundo D'Ângelo, a verba está assegurada via Lei de Incentivo ao Esporte estadual - com a companhia de energia CPFL.

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