A história de Petra Hurtova mais parece um filme de ficção. Eslovena, a ex-atleta de esqui cross-country conquistou uma medalha olímpica com cinco costelas quebradas e um pneumotórax. Foi durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, no Canadá, em 2010. A lesão foi fruto de um acidente com os esquis de Petra, que não conseguiu frear diante de um buraco de quatro metros ainda durante a fase qualifitória. Mesmo sem respirar direito, ela seguiu em frente, competiu as finais e ficou com o bronze. Petra desde então é motivo de orgulho e fonte de inspiração em seu país natal.

 Os esquis só escorregavam e não freavam. Eles perdiam o contato com a neve. Quando eu estava voando vi que era um buraco de quatro metros e meio. Você sempre se vira para ver como ou aonde está caindo, e de repente percebi que estava bem escuro. Comecei a gritar muito e com esses gritos comecei a sentir dores muito fortes nas minhas costas. De alguma forma sai daquele buraco - conta.

Para entender melhor como Petra teve forças para encarar as finais mesmo com as costelas quebradas é preciso voltar em seu passado. A eslovena nasceu em um pequena cidade próxima da capital Liubliana e foi criada no campo com os pais. Obrigada a trabalhar desde criança, Petra não teve uma vida fácil e precisou relutar contra a vontade da família para se tornar uma atleta.

O esqui cross-country é um esporte que exige muitos esforços para atingir bons resultados. A origem de uma família camponesa vinda de um país como a Eslovênia foi algo que me ajudou a me desenvolver - conta.

A Olimpíada do Canadá era a terceira e última na carreira de Petra. Em 2002, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, ela fez sua estreia. Pois foi em 2006, em Turim, na Itália, que aconteceu o primeiro episódio desse que poderia ser um filme de drama. Simplesmente, Petra foi derrubada por um fiscal de prova enquanto esquiava.

"Eu perdi uma medalha, um rapaz alemão da organização caiu e eu estava no grupo da frente de 11 atletas, e ele caiu sobre mim" disse Petra, completando:

 Ele colidiu comigo durante a competição olímpica. Enquanto eu estava tentando voltar a ser competitiva, o grupo da frente já tinha ido, e eu não sabia em que direção tinha que correr. Você não espera que isso aconteça com você nos Jogos Olímpicos - lembra.

A Olimpíada de Vancouver para Petra era portanto um recomeço, uma revanche contra as adversidades. Se a queda na Itália tinha afastado ela do pódio uma vez, a eslovena estava decidida a não deixar a tragédia se repetir. Por isso, quando teve o problema nos esquis e caiu no buraco, ela jamais pensou em desistir.
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