Por nove votos a dois, a Câmara de Vereadores de Triunfo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aprovou o pedido de impeachment do prefeito do município Valdair Gabriel Kuhn, e o vice, Orison Donini Cezar Júnior, da coligação PSB-PSDB. Com a decisão, o presidente da Câmara, Murilo Machado Silva (MDB), assume o poder executivo, na segunda-feira (29/04).

O pedido de impeachment foi feito por um morador da cidade que fez a denúncia à Câmara de Vereadores.

De acordo com a denúncia, o prefeito teria forjado um pedido de calamidade pública na saúde para contratar, de forma irregular, empresas terceirizadas com indicação política, fraudando vários processos licitatórios.

De acordo com o advogado de defesa do prefeito, Aloisio Zimmer, o julgamento foi político e durante a sessão teriam acontecido irregularidades. O advogado diz que vai pedir a anulação do processo de cassação.

"Depois que apresentamos as defesas e, somente na hora do julgamento, foi empossado um vereador suplente que integrou a sessão apenas para votar. Surpreendendo a defesa que não o tinha entre os julgadores. Um dos vereadores-julgadores era tecnicamente suspeito para julgar pois ele é réu em outro processo junto com o prefeito."

Valdair Gabriel Kuhn e Orison Donini Cezar Júnior são investigados por irregularidades na administração. Uma delas é a contratação irregular do Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde, que faz a gestão do Hospital Santa Rita. A prefeitura teria pago em torno de R$ 2,5 milhões ao instituto de forma ilegal.

O advogado Jader Marques, que representa o vice-prefeito, disse que ingressará na Justiça para pedir a anulação da sessão, que considera uma "farsa". Ele alega que não houve nenhum ato que justifique a perda do mandato, diz que os vereadores agiram "de maneira leviana e irresponsável", e que havia um vereador com "interesse direto na matéria.

"A Câmara de Vereadores de Triunfo traiu a vontade do povo da cidade que, legitimamente, escolheu o prefeito e o vice prefeito, num pleito regular. Os vereadores que decidiram pela cassação, num processo eivado de nulidade e sem qualquer ocorrência de ato passível de perda do mandato, agiram de maneira leviana e irresponsável", declarou.

A equipe de reportagem fez contato com o Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde, que disse que só se manifestará sobre o fato na próxima segunda-feira (29/04).

A votação durou mais de 12 horas. A sessão na Câmara começou por às 17h, da última sexta-feira (26/04), e se estendeu durante a madrugada. O resultado final foi anunciado no início da manhã do último sábado (27/04), por volta das 6h.

Votaram a favor da cassação os vereadores: Adriano Costa da Silva, Fernanda Paz Pinheiro, Glauco dos Reis da Silva, Jairo Almeida de Souza, Marcelo Wandenphul, Marcio Pinheiro de Souza, Marco Aurélio da Silva, Nelson Saraiva Aguileiro e Valmir Rodrigues Massena.

Apenas Claudio Alfeu Rener Viana Junior e Marizete Cristina de Freitas Vaz votaram contrários ao impeachment.

Durante a fase de apuração, o prefeito e o vice recorreram três vezes à Justiça para anular o processo de cassação, o que não aconteceu.

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