“Eu espero que vocês tenham vindo preparados para botar a mão na massa”. Assim Debora Garofalo, professora de São Paulo e uma das 10 finalistas do do Global Teacher Prize, começou sua aula experimental durante o Global Skills and Education Forum, realizado em Dubai, nos Emirados Árabes. Além do título de “melhor professor do mundo”, o “Nobel” da educação, promovido pela Varkey Foundation, dá ao vencedor o prêmio de US$ 1 milhão.

Durante 30 minutos, professores, pesquisadores, políticos e investidores de todo o mundo puderam se sentir como as crianças da Escola Municipal Almirante Ary Parreiras, na periferia de São Paulo. “Vai ser uma aula divertida. No final, nós vamos testar o nosso protótipo e ele vai ter que funcionar!”, disse Débora, para uma plateia ainda desconfiada, mas que já se mostrava interessada.

Aos 39 anos – 14 deles dedicado às salas de aula – Debora mostrou segurança mesmo dando sua aula em português. Com firmeza, mas sorrindo, a professora traçou um panorama geral sobre o Brasil e mostrou uma de suas primeiras dificuldades: alunos que não podem ir às aulas em dias de chuva por conta do lixo que se acumulava nas ruas. “As casas deles eram invadidas por água, e isso era provocado pelo lixo. Essas crianças conviviam com doenças como dengue e leptospirose”, disse, arrancando olhares dos presentes que, em sua maioria, sequer sabiam o que era leptospirose.

A sala, lotada, começava a entender que a motivação de Débora era mudar a realidade dos alunos. Ao entender um problema social, a professora formulou um plano de ação e encontrou na robótica a forma perfeita de atingi-los e conquistá-los. “Essas crianças começaram a perceber que têm um lugar no mundo. E que não é aquela realidade que vai determinar o que elas serão. São elas que vão determinar”. Uma pausa de alguns segundos – o tempo necessário para os tradutores entregarem a mensagem – separa a frase de Debora dos aplausos. Uma das raras vezes que um professor é aplaudido durante uma aula experimental no Fórum, não ao final.

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