Em plena “era da globalização”, só 5% dos brasileiros sabem o básico de inglês e menos de 1% são fluentes na língua, segundo dados do Conselho Britânico. No meio desse cenário cheio de deficiências e que pede cada vez mais um aluno formado para o mundo, a educação bilíngue vem ganhando força. A prática é a seguinte: parcerias entre escolas particulares com empresas que oferecem materiais didáticos e pedagógicos e até mesmo formação para professores faz com que todas as disciplinas, como matemática e história, sejam ensinadas em uma língua estrangeira, sendo mais comum no Brasil, o inglês.

Para compreender melhor as diferenças desse tipo de prática com outras existentes e a metodologia, Educação entrevistou Virgínia Garcia, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Editorial da International School, empresa brasileira de solução bilíngue para redes de ensino que tem sua metodologia aplicada em mais de 200 escolas do país.

Qual a diferença de escola/curso de idioma, educação bilíngue e escola internacional?

A escola de inglês [ou outro idioma] enfatiza a estrutura gramatical da língua, do vocabulário; ela explora o ensino da língua como uma matéria em si para ensinar inglês.

Educação bilíngue é o inglês sendo dado dentro da escola. A diferença é que você ensina o idioma integrado às outras matérias, como artes, matemática, geografia e história, com isso, o inglês passa a ser o meio de instrução para desenvolver a matéria e não uma matéria em si. O que gera integração curricular, ou seja, você faz com que o segundo idioma ou o idioma-alvo se torne o meio pelo qual a instrução se dá. Não há dissecação do idioma e o olhar apenas na mecânica da gramática. Pelo contrário, na educação bilíngue ambas são aprofundadas ao mesmo tempo e de maneira integrada.

Finalmente temos a escola internacional, como a inglesa, britânica, alemã e suíça. A diferença é que se usa o currículo do país-alvo, ou seja, não é o currículo brasileiro. Na educação bilíngue você utiliza o currículo brasileiro. As escolas britânicas e alemãs, por exemplo, começam o ano letivo em setembro, porque na Europa é assim. Eles usam o currículo e calendário escolar ao qual a escola está ligada.

Vocês oferecem aulas em inglês e não aulas de inglês. Quando vocês chegam nas escolas elas já estão cientes dessa diferença? Quais as principais dúvidas e receios dos educadores em relação a essa metodologia?

Aí está um dos grandes diferenciais da International School. Nós temos um processo de familiarização para a escola que deseja adotar o nosso programa. Fazemos um contato com os professores, coordenadores, alunos e pais para que antes mesmo de assinar um contrato essas pessoas já tenham conhecimento de nossa proposta.

A dúvida central, principalmente dos responsáveis pela escola é: qual a diferença entre este inglês que estudamos no instituto de línguas e o inglês sendo utilizado como meio de instrução na educação bilíngue.

No momento em que a escola fecha contrato conosco focamos na formação inicial dos professores. O nosso grande segredo é que, além de um material didático impresso e digital de excelente qualidade, buscamos sempre inovar. Fazemos formação inicial com professores e o que chamamos de formação continuada, em que oferecemos oficinas, acompanhamento mensal a esses docentes e todo um apoio digital e por telefone.

Quais as principais mudanças que as escolas costumam fazer ao adotar o programa de vocês?

Em primeiro lugar, as escolas nos pedem — e oferecemos como parte do processo — uma avaliação voltada a professores de abordagem metodológica e proficiência linguística para saber se eles estão capacitados em acompanhar o programa ou se nós podemos apoiar uma seleção. Quem decide quem será o docente é a escola. Nós oferecemos um auxilio técnico e logístico para que a instituição encontre aquele professor que atenda às necessidades e realidade da escola.

A primeira mudança é a adequação de um professor que não esteja voltado para aquela abordagem mecânica de dissecação de língua e, sim, com uma “pegada” diferente. E, obviamente, a mudança de mentalidade, de compreender nossa abordagem pedagógica, que é diferenciada. O responsável [escolar] precisa acompanhar isso.

Em nossa parceria com a escola, o aluno é o centro. Porque um de nossos principais objetivos, além da integração da língua com o conteúdo, é que o estudante desenvolva as competências do século 21, também previstas dentro da BNCC [Base Nacional Comum Curricular], entre elas: resolução de problemas, uso de pensamento crítico, trabalho em equipe e uso de tecnologia educacional.

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